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sábado, 12 de março de 2016

Simone em entrevista a O Globo

Em entrevista à Agência O Globo, cantora Simone fala sobre seu projeto de shows com preço popular, política, entretenimento, sexualidade e vaidade.


SC Rio de Janeiro (RJ) 08/03/2016 - Simone, cantora. Foto: Fernando Lemos / Agência O Globo
O Globo - Como é possível fazer uma turnê com ingressos a R$ 1?
Simone - É uma briga minha há pelo menos 20 anos. Tem gente que pode pagar, mas muito mais gente não pode. Sem patrocínio, eu não conseguiria. A casa de shows cobra 50% da bilheteria, vamos percorrer 20 cidades, o cenário é do Hélio Eichbauer, a direção é da Christiane Torloni...

OG - Após tanto tempo patrocinada, o que você acha das críticas à Lei Rouanet?
S - Não tenho capacidade para debater esse assunto a fundo. Sou patrocinada desde 2009. Não sou produtora, apenas uma cantora que batalha. E esta temporada acabou vindo numa hora importante, uma crise horrorosa.

OG - O que acha da atual situação política?
S - Eu acho uma sacanagem, uma escrotidão, uma filha da putice o que estão fazendo com o país e com o povo. Nós temos uma parcela de culpa nas pequenas corrupções do dia a dia, mas os dirigentes do país são os verdadeiros culpados.

OG - O que seriam as pequenas corrupções do seu dia a dia?
S - Já pedi que amigos comprassem ingressos para não ter que entrar na fila...

OG - Artista tem obrigação de se posicionar politicamente, de declarar voto?
S - Não acho que por se artista devo fazer tal coisa. Os tempos estão muito quentes.



Simone - Fernando Lemos / Agência O Globo


OG - Você já declarou voto no passado?
S - Já. Acompanhei a Arena, o PMDB. Nunca votei no PT.

OG - Alguns artistas estão se mobilizando para as manifestações convocadas para este domingo. Você está entre eles?
S - Não. Mas dia 13 estarei na rua. Minha panela tem sido batida na janela. Mas meus tempos são outros. Só quero cantar e, de vez em quando, ver “House of cards”.

OG - Além de assistir a séries, o que você gosta de fazer para se divertir?
S - Ver filmes. Da última leva, o que mais gostei foi “Carol’’. Também gostei de “Spotlight’’ e “A garota dinamarquesa’’. Não vi “O menino e o mundo’’, mas quero ver.

OG - Você vai ao cinema ou baixa os filmes na internet?
S - Não sei baixar nada... A única vez que em tentei entrou um filme de sacanagem (risos).

OG - Por falar da última leva de filmes, a atriz Gloria Pires virou alvo de muitos memes por sua atuação como comentarista do Oscar. Como você vê essa resposta implacável das redes sociais? Você usa Facebook, Twitter ou Instagram?
S - Sou antiga. Não gosto nem de mensagem de texto ou voz. Mas sei que existem ótimos perfis falsos meus, que sabem mais coisas minhas do que eu. E sei que sofri muito bullying com a música “Então é Natal” (1995). Fizeram campanha na internet, queriam proibir de tocar, uma coisa horrível e ditatorial. Com uma música que as pessoas adoram e que vendeu 1 milhão de cópias...

OG - Você se arrepende de tê-la gravado?
S - Não matei, não roubei, vou ter vergonha de uma música que fez sucesso na minha voz? Tive a ideia de gravar um disco de canções natalinas durante uma viagem a Nova York, quando entrei numa loja de discos e vi que vários cantores americanos tinham feito. Além disso, nasci no dia 25 de dezembro. E minha relação sempre foi de ódio e amor com o Natal. É difícil ter Jesus Cristo como concorrente.


Simone - Fernando Lemos / Agência O Globo


OG - No próximo 25 de dezembro você completa 67 anos...
S - Sou uma senhora, mas não tenho espírito de senhora. Aliás, queria que você botasse aí que acho um absurdo a maneira como representam a pessoa como mais de 65 anos no cartão de gratuidade de estacionamento para idoso (ela pede para pegar o papel que carrega no carro e mostra a figura de um boneco curvado, com bengala e mão na lombar). Fico revoltada.

OG - Aos 66 anos, como fica a sexualidade?
S - Ativíssima. Sou saudável. Acho que mulher tem que se masturbar mesmo. Não pode ficar parada. Para mim, quando o olhar bate, não importa se é homem ou mulher. Já tive muitos problemas com isso quando namorei uma mulher pela primeira vez, aos 18 anos. Hoje lido bem. Também já namorei homens. Não levanto bandeira, mas nunca escondi nada. Acho que uma relação trata de amor, desejo, cumplicidade. Isso é o que importa.

OG - Você é vaidosa?
S - Não sei. Lavo o cabelo em todos os banhos, não uso maquiagem, mas gosto de estar sempre cheirosa.

OG - Já fez plástica?
S - Tirei gordura sob os olhos, ajustei o pescoço e diminuí os seios, que cresceram muito com a menopausa. A ampulheta já virou... Quero viver o agora. Passei por momentos difíceis, lutas internas. Hoje sou feliz. Não estou nem aí para o que falam de mim. Já liguei o... (ela não termina a frase). Isso tem a ver com este meu disco (lançado em 2013). Canto o que ouço, o que gosto, o que me faz feliz.

OG - O disco em que se baseia o show tem apenas músicas compostas por mulheres, inclusive uma parceria sua com a atriz Fernanda Montenegro...
S - A Fernanda me mandou uma carta de amizade, que ficava na parede. Um dia, pensei: “Isto é música’’. Fiz a melodia e mandei para ela. Assim nasceu “A proposta’’. O disco é um agradecimento às compositoras contemporâneas. Vivo cercada de mulheres densas e intensas.


Fonte: O Globo, 11.03.2016

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Simone: "O trabalho é amplamente feminino, em todas as suas facetas"

A cantora conversou com a Itapema FM sobre seu novo disco e o show que traz a Florianópolis neste sábado

Simone: "O trabalho é amplamente feminino, em todas as suas facetas" Simone - É Melhor Ser/Divulgação
"Na verdade não tem um porquê; tem uma vontade de homenagear estas mulheres, guerreiras, amantes...", diz Simone sobre o repertório do novo discoFoto: Simone - É Melhor Ser / Divulgação
Neste sábado, dia 24 de maio, a cantora Simone chega a Florianópolis para fazer o lançamento de seu disco mais recente, É Melhor Ser. O show, com concepção da própria Simone e direção geral de Christiane Torloni, acontece no Teatro Ademir Rosa, do CIC (Centro Integrado de Cultura), às 21h. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e no site Blueticket.
É Melhor Ser reúne canções de compositoras importantes na carreira de Simone, como Rita Lee, Joyce, Fátima Guedes, Marina Lima e Sueli Costa. Mulher o Suficiente, de Alzira Espíndola e Vera Lucia Motta, primeiro single do CD disponível no iTunes, é um dos destaques do show; que traz também a inédita Haicai, de Fátima Guedes, e duas parcerias de Simone: Só Se For, com Zélia Duncan, e A Propósito, com Fernanda Montenegro. O público ainda vai conhecer as versões personalíssimas de Simone para clássicos como Charme do Mundo, de Marina e Antônio Cícero; Mutante, de Rita Lee e Roberto de Carvalho; Acreditar, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho; eDescaminhos, de Joanna e Sarah Benchimol. Em entrevista concedida à Itapema FM, a artista falou sobre o novo trabalho e o espetáculo que vem apresentar em Florianópolis.

Itapema: É Melhor Ser reúne canções de compositoras importantes em sua carreira. Como foi feita a escolha do repertório?
Simone: Foi um repertório pensado há um ano e meio. Assim como eu poderia ter feito um CD com músicas inéditas, ou um disco em homenagem a um único compositor, escolhi fazer um disco com gravações só de mulheres. Acho que durante os últimos 40 anos, a partir dos anos 70, que é o que eu retrato no disco, houve um florescimento muito grande de compositoras. Isso não era uma coisa comum. Eram mais os homens que compunham, que cantavam suas canções. Na verdade não tem um porquê; tem uma vontade de homenagear estas mulheres, guerreiras, amantes...
Itapema: Como aconteceu a participação de Fernanda Montenegro em A Propósito?
Simone: Eu amo a Fernanda e guardo tudo que ela escreve ou manda para mim. Recebi um bilhete dela, lindo, há anos, com o texto que está completo no encarte do CD. Esse bilhete está pregado no meu escritório, e, numa noite insone, de frente pra ele, a melodia chegou.
Itapema: Esse trabalho é, como um todo, bastante feminino. O repertório formado por músicas compostas por mulheres, sua própria concepção para o espetáculo, a direção geral de Cristiane Torloni... Você acha que trabalhar com uma maioria formada por mulheres influencia os rumos do álbum e do show em uma direção ou outra?
Simone: O trabalho é amplamente feminino, em todas as suas facetas. Eu queria ter o olhar feminino, queria uma pessoa de teatro, uma pessoa que olhasse pra mim e me visse. E foi exatamente o que a Chris fez. Ela é uma pessoa de teatro, uma grande atriz; ela tem esse universo que eu queria mostrar - e ela me olhava e me via. Sim, claramente, o olhar feminino influencia os caminhos tomados.
Itapema: Você está completando mais de 40 anos de carreira. Como se sente com isso? Quais são os próximos planos de alguém que já alcançou tanto na carreira artística?
Simone: Na verdade são 41 anos de carreira, e tenho muito orgulho de tudo que conquistei. Estou cheia de planos para os próximos anos. Aguardem!

Itapema: Como é o espetáculo que você está trazendo a Florianópolis? O que o público pode esperar?
Simone: A turnê tem sido uma delícia! Casas lotadas, público caloroso e receptivo. Não será diferente em Florianópolis. Espero vocês lá no CIC!

Fonte: Diário Catarinense

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Simone visita Cevam e abre seu coração

De passagem por Goiânia, cantora abraça causa social do Centro de Valorização da Mulher e abre o jogo em bate papo
  • (Foto: Igor Leonardo - Hektaphoto's)
A baiana Simone Bittencourt de Oliveira, mais conhecida como Simone, é dona de uma carreira invejável e do êxito de mover multidões ao longo de quatro décadas. De passagem por Goiânia, especialmente para visitar as instalações e conhecer mais sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro de Valorização da Mulher (Cevam), a cantora movimentou um número menor de pessoas, mas tão grande em emoção quanto um Maracanãzinho lotado - feito da artista nos anos 80 -. Simone fez questão de conhecer cada detalhe da ONG, que é presidida por Maria Cecília Machado, abraçar e conversar com as crianças e encantá-las com sua música. Ao final da visita, a cantora bateu um papo com a Zelo, no qual abriu seu coração. Confira a entrevista na íntegra:
 
Com que olhos que você vê a iniciativa do Cevam?
 
Simone: Eu acho que tudo que você pode ajudar, pode compartilhar, é bom. Que bom que eu conheci o Cevam! Que bom que quando eu vim aqui pra Goiânia eu tive a oportunidade de conhecer o pessoal, algumas das crianças estiveram lá, e eu fiquei muito tocada, porque é uma barra muito pesada. O que eu puder fazer, eu vou fazer!
 
Você acha que o incentivo de pessoas com grande repercussão na mídia ajuda na difusão dessas causas ainda desfavorecidas no nosso país?
 
Simone: Eu acho que caberia muito ao Governo, tanto Federal, quanto Estadual e Municipal, ajudar. A verba monstruosa que se tem deveria ser muito mais bem aplicada do que está sendo. Então, seria bom que os governantes, os políticos, esses homens poderosos, olhassem um pouco, tivessem esse “padrão FIFA” para a educação, para a saúde, para essas causas que são muito grandiosas e lutam contra o que faz um estrago enorme na vida das pessoas. Eles poderiam ser um pouco mais condescendentes, ter um pouquinho mais de abertura para ver todas essas barbaridades que acontecem, afinal, não é só aqui, não é só o Cevam que ajuda. E obviamente nós, pessoas públicas, podemos ajudar, mas não pode ficar tudo nas costas dos artistas. Maseu digo que se você pode falar, se acredita no que está vendo, você tem que falar, que espalhar, portanto, eu estou à disposição.
 
Diante desse governo tão deficitário, você acha que o posicionamento dos artistas aumenta a conscientização?
 
Simone: Eu sempre fui uma pessoa que pelo que eu acredito eu boto a cara. Em questões como política, religião, você não pode brigar com as pessoas, cada um tem um gosto. Então, você tem que se posicionar, porque se você toca as pessoas pela posição em que você está se colocando, e pela verdade que você está passando, o tempo irá mostrar o resultado. No caso aqui, meu posicionamento com o Cevam, isso transcende essas questões políticas, eu não quero saber disso, vai além. Mas que tem a ver botar a cara a tapa sim. Eu não me importo com isso!
 
Com mais de 40 anos de carreira, a Simone hoje tem uma postura diferente em relação a público, shows, mesmo esse posicionamento social?
 
Simone: Não! Eu sempre fui uma pessoa coerente com a vida e com a minha carreira. A minha fomra de pensar e minha maneira de agir não mudaram. Daqui para frente eu posso errar menos, ser um pouco menos pavio curto talvez. Mas o meu posicionamento diante da vida é exatamente igual, eu sou turrona, teimosa, no que eu acredito eu acredito, no que eu creio, eu creio. Agora eu acho difícil mudar! (risos)
 
Você vem de uma geração que é bastante utópica, que via a música como um instrumento para mudar o mundo. Você acha que isso ainda tem força atualmente?
 
Simone: Eu acho que a música foi o grande grito de liberdade e a cultura, obviamente, ganhou com isso. Nos anos 60, aquele movimento de liberdade, amor, sexo, drogas e rock’n roll, eu acho que foi um grito válido. Mas a gente vê as incoerências que aconteceram no mundo, como no caso do John Lennon, aquela tragédia horrorosa, que era um cara que sempre lutou pela paz, cantando o amor o tempo inteiro. Acho que a música modifica muito a maneira de pensar, ela traz muitos benefícios. E a geração à qual eu pertenço, eu devo dizer-lhe que, até agora está insuperável, sem dúvida nenhuma é maravilhosa. O que a gente tem de bagagem dessa geração é um espetáculo!
 
Hoje você prefere fazer shows mais intimistas?
 
Simone: Depende do show! Acho que o artista deve ir onde o público está, mas tem shows que são para lugares menores mesmo. E a realidade mudou também. No caso, esse meu último show é para ambientes pequenos, ele precisa disso.
 
Falando do seu último trabalho, o “É Melhor Ser”, como está a repercussão?
 
Simone: Tá ótimo! Estou em turnê com ele.
 
Você traz grandes compositoras nesse trabalho, e tem uma música que você compôs junto da atriz Fernanda Montenegro. Como surgiu essa ideia?
 
Simone: A Fernanda escreveu um bilhete, um texto, pra mim. E um dia eu, lendo e relendo, vi que a primeira parte do bilhete, em que ela falava de mim e em todos os artistas, já tinha a música implícita. Eu vi uma coisa como um mantra naquele começo de bilhete, então liguei para ela e pedi permissão. Ela chancelou, então era esse o projeto!
 
E tem algum projeto futuro que você pode compartilhar com a gente?
 
Simone: Projeto tem! Que eu possa compartilhar ainda não! (risos)
 
Voltar com show a Goiânia, algum plano?
 
Simone: Sim, claro! Se possível ainda esse ano!
 
Fonte: Zelo, por Lucas Pereira

sábado, 26 de outubro de 2013

Cantora Simone diz que era cobaia da Globo para festivais de música

Artista comemorou 40 anos de carreira no "Mais Você"

FAMOSIDADES


Por FAMOSIDADES
SÃO PAULO - A cantora Simone comemorou a chegada de seus 40 anos de carreira no programa "Mais Você" desta terça-feira (22).

Em um bate-papo descontraído com a apresentadora Ana Maria Braga, a artista relembrou da época em que se apresentava em programas musicais da TV Globo, e revelou ter sido cobaia da emissora."Tudo o que a Globo planejava...", disse ela sendo interrompida pela loira: "Você ia lá e fazia...". "Não, eu era cobaia", disse ela dando risada.

A cantora aproveitou a ocasião para fazer um balanço de sua carreira musical. “Fico e estou muito feliz comigo. Sou muito coerente com a coisas que faço e penso. Acho que a gente nunca faz um balanço da carreira, vamos andando em frente. Se estou aqui hoje é porque mereço. Eu amo e vivo o que faço", completou ela, que recebeu uma homenagem da atriz Christiane Torloni, sua amiga pessoal e diretora de seu novo show.

"A gente se conhece há 35 anos. Foi sedimentando uma confiança entre nós que fez com que a Simone me chamasse para fazer esse espetáculo, que é uma grande homenagem a esses 40 anos de carreira e às grandes compositoras do Brasil. O público vai ser presenteado com composições que nunca ouviram e com uma Simone mais atriz do que nunca", entregou.

domingo, 20 de maio de 2012

SIMONE CONFESSA O MEDO DE SE APRESENTAR


Simone vence timidez para falar de sua trajetória na MPB, de religiosidade e dos gostos pessoais






O corpo esguio, a voz grave e os cabelos volumosos de Simone (62) fazem dela uma referência em presença de palco e personalidade. No entanto, apesar dos 40 anos de carreira celebrados neste ano, a cantora surpreende ao contar que até hoje sente verdadeiro pavor de encarar uma plateia. “Sou muito tímida. Sempre tive medo de me apresentar, e ainda tenho. Na verdade, é um sofrimento. (risos) Mas amo cantar e respeito meu público, então, tenho que pagar a prenda”,contou, na casa de festas Villa Riso, Rio, após voltar da turnê portuguesa do CD Em Boa Companhia. Formada em Educação Física e jogadora profissional de basquete na juventude, Simone lembra que enveredou pelo caminho da arte por acaso, apesar de a música ter sido uma paixão de infância. “Aos 22 anos, quando já tinha saído da Bahia para morar em São Paulo, conheci o Moacir Machado, gerente de marketing da extinta gravadora Odeon. Fui a um jantar na casa dele e cantei. Ele me perguntou se queria fazer um teste. Deu certo. Logo depois, em 1973, gravei o primeiro LP”, relembrou.
– Você chegou a ser convocada para a Seleção Brasileira. Foi difícil largar tudo pela música?
– A importância de estar na seleção sempre foi enorme, mas, há 40 anos, o esporte não era difundido como hoje. Não se ganhava para jogar, era só ajuda de custo. Amava o basquete, só que a música bateu mais forte. Lembro da primeira vez em que fui ver um show do Milton Nascimento, enlouqueci.
– O que você faz para se manter assim, bem fisicamente?
– Caminho e comecei a fazer yoga. Não gosto de doce ou de fritura e só como grelhados porque minha digestão é lenta. Mas sou literalmente viciada em pipoca. (risos) Levo até meu pacote sem gordura trans para o cinema. Acho que estou bem. Media 1,80m, mas já devo ter encolhido um pouco, e peso 67kg. Engordei uns 10kg com a menopausa, o que considero bom. Depois de certa idade, não dá para ser muito magra.
– É mais vaidosa hoje em dia?
– Nunca fui de me olhar muito no espelho. Esqueço mesmo.
– Nos shows, você usa branco e entra com o pé esquerdo. O que há de religião ou superstição?
– Fui criada na Igreja Católica, mas vejo Deus materializado na natureza. Segui durante algum tempo a Fraternidade Branca, espécie de comunhão voltada para as cores. Na verdade, sou bem ignorante em matéria de religião. Por incrível que pareça, nunca fui a um candomblé, mesmo sendo baiana, mas rezo todos os dias um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
– Tem vontade de voltar às raízes e morar na Bahia?
– Gosto muito de ir para lá. A Bahia tem um cheiro gostoso, muito próprio... Mas morar de vez é difícil. Estou bem no Rio.
– Você está namorando?
– Estou solteira. Gosto de mim e não tenho o menor problema em ficar sozinha. É bom ter alguém quando essa pessoa soma. Solidão a dois, não.

Fonte: REVISTA CARAS | 3 DE MAIO DE 2012 (EDIÇÃO 965 - ANO 18)

sábado, 14 de abril de 2012

Simone: “A cidade do Porto é linda… gosto de tudo!”



Simone, uma das vozes mais celebradas do Brasil, actua este domingo na Casa da Música. A cantora de êxitos que passam pelo samba, MPB, pop e canção romântica regressa ao Porto com novo espectáculo “Especial Pra Você”, que reúne os maiores sucessos de uma carreira de 4 décadas. Dias antes do concerto, a baiana respondeu por email a algumas perguntas do P24.
O que podem esperar os portuenses do seu novo espectáculo “Especial Pra Você”?
Quero fazer um espectáculo romântico. Há algumas canções mais densas, mas todas elas falam de amor. Será um show tão saboroso quanto os doces portugueses. Espero que me esperem com o carinho que sempre me recebem porque esse show é “Especial pra vocês”.
Tem ideia de quantos concertos já deu em Portugal? E no Porto?
Na verdade não sei, mas foram muitos, mais de dez com certeza! No Porto especificamente não sei, mas estive ainda no ano passado no Coliseu.
Que recordações tem de actuar no Porto? E da cidade propriamente dita?
A minha mais recente recordação é uma maravilha. Ano passado! A cidade é linda… gosto de tudo! O público é maravilhoso… Se melhorar, estraga! Os portugueses, em geral, têm uma ingenuidade genuína. Me entendo muito bem com o público português. Quanto à cidade, há vinhos e petiscos de que não prescindo e tenho amigos portugueses que me mandam regulamente essas maravilhas para o Brasil.
Tem acompanhado a evolução da música portuguesa? Com que artista ou projecto português gostaria de colaborar e como?
Não me sinto capacitada para opinar, mas gostaria de estar num projecto e colaborar sempre! E da melhor maneira… aberta a parcerias!
Em 4 décadas de carreira, o que foi/é mais gratificante para si?
A minha vida não se resume a 4 décadas. Tive uma infância maravilhosa, quando ainda se podia brincar na rua, jogar bola. Adorava desporto, jogar bola, natação, basquete. Mas, sem dúvida, o mais gratificante é cantar e continuar cantar… Foi, é e será? Quem sabe… espero que sim…
Fonte: Porto24 | Por  | 11:30 - 14.04.2012

domingo, 8 de abril de 2012

Simone: “Conheço Portugal inteiro, do Minho ao Algarve”

A cantora brasileira conversou com Rita Ferro antes dos cinco espetáculos que irá dar em Portugal durante o mês de Abril.





Chama-se Simone Bittencourt de Oliveira, mas todos a co­nhecem simplesmente por Simone. Nasceu em São Salvador da Bahia, em 1949, no dia de Natal. É a sétima filha entre nove irmãos. Já foi atleta: em rapariga, estudou educação física e foi colega de Pelé. Todos reconhecem a sua voz inconfundível a interpretar temas românticos, MPB ou sambas. A sua estreia oficial no Brasil coincidiu com o lançamento do seu primeiro disco e ocorreu a 20 de Março de 1973, em São Paulo, dia em que iniciou, no mesmo dia, um programa na TV Bandeirantes. Três anos depois, o grande sucesso da época, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, levou o nome da cantora aos quatro cantos do país com a canção O que Será. Seis anos depois, já conheceria a fama internacional com o tema da novela Malu Mulher, Começar de Novo. Depois disso não parou mais e tanto o seu sotaque baiano como o seu timbre metálico de mezzo-soprano, apimentado por uma sensual rouquidão, foram sempre evoluindo. Quando, em 1979, actua pela primeira vez no Canecão, a mais prestigiada sala de espectáculos do Rio de Janeiro, com mais de 120 mil pessoas, foi considerada a artista do ano, só superada por Roberto Carlos no seu espectáculo anual. Desde então, a sucessão de discos de ouro e de platina que mereceu atesta bem o carinho que o público lhe tem. Rita Ferro desafiou-a para uma entre­vista e Simone prestou-se a dá-la com a simpatia e a delicadeza que todos lhe reconhecem. Continua bonita. Muito bonita.

Rita Ferro – Querida Simone, Portugal está felicíssimo com a sua presença entre nós. Sente-se contente em Lisboa?

Simone – Muito. Me sinto em casa. Tenho muitos amigos portugueses. E há vinhos e petiscos portugueses de que não prescindo e que amigos daqui me mandam regularmente. É a minha forma de estar sempre junto de vocês.

– Quantas vezes já esteve aqui?

– Não sei, talvez umas dez vezes e sempre com enorme alegria. Conheço Portugal todo, inteiro, do Minho ao Algarve, e já visitei lugares deslumbrantes e que nunca mais esquecerei, como Monsaraz, Monsanto, Marvão, Óbidos e Évora. Vão ser dias óptimos, tenho a certeza.

– Quando e onde vai actuar? O público da CARAS precisa de saber...

– E vai saber, a agenda está cheia e os bilhetes estão-se a vender muito bem: dia 7 de Abril, no Casino de Tróia; dia 10 de Abril, no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada; dia 12 de Abril, no Coliseu de Lisboa; dia 14 de Abril, no CAE, Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz; e, finalmente, no dia 15 de Abril, na Casa da Música, no Porto. Só têm mesmo é de escolher... [risos]

– Como são os portugueses?

– Enquanto público... se melhorar estraga! [risos] E enquanto pessoas... considero-as sweet & sour... Os portugueses têm uma ingenuidade genuína maravilhosa e são educados, gentis e também pacientes. Não invadem a privacidade. Não costumam ser expansivos, são reservados, mas, durante os shows, deixam a reserva de lado e tornam-se muito participativos, muito alegres e cantarolantes. A leitura que faço é a de que, ao mesmo tempo que têm essas reservas, nos shows sabem guardar respeito e, ao mesmo tempo, quando é para participar participam maciçamente. São muito especiais, me entendo muito bem com o público português. É um velho amor.

– Quer falar deste seu novo espectáculo?

– Bom, sem querer estragar a surpresa, apenas digo que ele lembra a gastronomia portuguesa, ou seja, será tão saboroso quantos os doces e vinhos portugueses!

– Que sente quando olha o seu percurso, desde a estreia até agora?

– Sinto um imenso orgulho e, quando lembro a minha estreia, ocorrem-me sempre as palavras que a minha mãe me dizia, tão deci­sivas para a força que foi necessária para chegar aonde cheguei: “Você nasceu com carácter, seja dig­na de si!”

– Cursou Edu­cação Física e foi colega de Pelé – que guarda desses tempos?

– A sensação que tenho é a de que éramos felizes e sabíamos.  Eu era feliz e sabia. Nessa altura eu tinha um fusca que baptizei de  “Filomena”. Foram os melhores anos: dos 19 aos 22! Daí as minhas grandes lembranças: tudo era uma maravilha, tudo era um espectáculo! Que delícia...

– Foi jogadora profissio­nal de basquetebol, ainda pratica algum desporto?

– Não, não pratico. Longe vão esses tempos! Mas faço ginástica regularmente e grandes caminhadas sempre que posso. Andar a pé faz-me bem à cabeça, descontraio, relaxo, penso na minha vida e nas minhas músicas, e vou observando a vida e os outros da melhor forma que conheço: em silêncio. Por outro lado, a ginástica ajuda-me a estar em forma, o que é essencial nos dias que correm. Sem preparação física talvez não aguentasse as constantes solicitações da minha agenda artística. Não sou uma histérica do exercício, mas tento nunca me esquecer dele...

– Ainda é tímida ou já venceu essa barreira?

– Sim, ainda sou. Muito tímida. E a verdade é que nunca venci essa barreira. Sempre que entro em palco sinto as mesmas borboletas na barriga que sentia nos verdes anos.  Uma pessoa exigente consigo mesma tem necessariamente de duvidar do seu desempenho, até porque cantar não é uma ciência exacta. Há muitas variáveis que condicionam a voz e a presença em palco. Não somos robôs. Por vezes trabalhamos debaixo de pressões que o público nem imagina. Ou de problemas, de decepções e até de lutos. E há coisas nos bastidores que não correm bem e que influenciam necessariamente o sistema nervoso...

– Vou pedir-lhe nomes, só nomes para não abusar do seu tempo: cantores brasileiros preferidos?

– Milton Nascimento e Elis Regina.

– E portugueses?

– Digo só um que vale por muitos: Amália Rodrigues.

– E estrangeiros?

– Nat King Cole e Shirley Horn.

– Morreria se não cantasse?

– [risos] Penso que não poderia responder a essa pergunta. Só experimentando e nunca me aconteceu...

– E o feminismo? Correu como previa? 

– O que interessa é que, pouco a pouco, vá progredin­do.  Embora, em termos mundiais, progrida lentamente e continue a fazer vítimas. Mas é preciso não baixar os braços. É necessário somar forças e esforços e nunca desarmar. Há muito trabalho a fazer, continuam a morrer mulheres em nome do amor, da honra e da religião. Mas, por outro lado, quem diria que chegaríamos aqui e que conquistaríamos o que já conquistámos? Nesse sentido, correu melhor do que o previsto.

– Considera-se uma cantora romântica?

– Sim, absolutamente. Antes de ser cantora sou pessoa, e, como tal, sou muito, muito romântica. Penso que as minhas letras falam por mim...

– Como vê o Brasil de hoje? Está apreensiva ou optimista?


– Considero o Brasil o melhor e mais belo país do Mundo! E claro que estou optimista, tem tudo para dar certo. O povo está motivado, produz-se muito e com alegria. Agora é acreditar e trabalhar.

– Veste-se sempre de branco, algum simbolismo em particular?


– Só me visto de branco no palco, cá fora prefiro cores alegres.  Mas branco é a cor que mais se harmoniza comigo e também a que mais me favorece.

– No fim dos espectáculos, costumava distribuir rosas brancas pelo público, ainda o faz?

– Claro, sempre! Desde que a produção não seja forreta [risos]. No mínimo distribuo três dúzias de rosas. Brancas e sem espinhos.

– E Deus, Simone? Continua seu amigo?


– É o meu melhor amigo.


Fonte: Caras | 08 Abril 2012, às 11:00
Por:  Rita Ferro

sábado, 3 de setembro de 2011

Olhos nos olhos com Simone

Por  Clara Monforte

JOGO RÁPIDO

 Música: trabalho, alimento, alma, prazer.
Sonho: um mundo com justiça social.
Medo: de ter medo.
Ídolos: são tantos... Bituca, Dalva de Oliveira, Martinho, Ivan Lins...
Prato predileto: Paillard finíssimo e uma massa com manjericão.
Amor: o sentimento mais nobre, mais importante e fundamental.
Sexo: amor.
Palavra: Amor sempre! Pela vida, por pessoas, por tudo.

Simone, nome forte da MPB há quase 40 anos, tem o sobrenome Bittencourt de Oliveira. A cantora, que apresentou o show Em Boa Companhia, no Mendes Convention, mais uma promoção da Hiperion Artes, tem uma trajetória brilhante, com 41 CD’s, quatro DVD’s e uma incontável participação em trilhas sonoras de novelas. Formada em Santos na área de Educação Física, antes de se render à música, foi jogadora de basquete. Esbanjando simpatia e objetividade, é sintética em algumas respostas, mas, em outras, se abre com descontração. Nascida no dia 25 de dezembro, não é por acaso que constantemente interpreta Então É Natal, umas das canções mais ouvidas no período de festas.

Que atitude levou você a construir um nome tão sólido na música?

Não mentir! Sou muito sincera, verdadeira com o meu trabalho. Nunca abri mão disso, talvez seja isso.

Concorda ou discorda com a afirmação de que as novas cantoras da MPB oferecem a mesma coisa para o público?

Discordo! Há jovens cantoras maravilhosas, que fazem trabalhos muito particulares, com estilo muito próprios. Admiro várias, como Tulipa, Céu, Roberta Sá, Mariana Aydar, e por aí vai. O Brasil é o país das cantoras, há várias e, como tem muitas, algumas sempre parecerão com outras.

Qual dessas cantoras seria a sucessora natural de Simone?

Não existe isso. Ninguém tem sucessor, cada um tem seu trabalho. Há várias cantoras que eu admiro muito, mas elas estão construindo a história delas. As novas gerações não vêm pra substituir, mas para agregar, dar origem a novos ciclos.

Como é voltar a Santos para se apresentar como cantora, depois de ter cursado a faculdade de Educação Física na cidade?

Voltar a Santos é sempre uma imensa alegria, não só porque amo esta terra e pela memória afetiva, mas também pelo público, que é maravilhoso!

Você sente falta de jogar, de vez em quando?

Não. Escolhi o ofício de cantora e sou extremamente feliz com o que faço há quase 40 anos. Mas adoro esporte, acompanho, sou torcedora...

O que é, para você, estar em boa companhia?

Estar junto dos meus amigos, das pessoas que amo, dos meus colegas de trabalho e do meu público. O título do show é uma grande homenagem a todos eles.

O que você quer comunicar ao público nessa nova turnê?

Nesse show, eu falo sobre desejo, amor de todas as formas e maneiras, apontando sempre pra cima. Quero que as pessoas saiam leves e felizes do espetáculo. A reação do público às canções novas tem sido a melhor possível, todos atentos, interessados... É saudável desafiar as pessoas a assimilar coisas novas, além do que, elas já estão acostumadas a ouvir. Além das inéditas, incluí no roteiro músicas do meu repertório que não cantava há algumas turnês, como Tô que Tô, Paixão, Face a Face, Ai, Ai, Ai..., e canções de outros intérpretes que eu queria cantar.

Como foi para você gravar com Zélia Duncan o CD Amigo é Casa?

Zélia Duncan é “a profissional”. O modo como ela conduz a carreira, os critérios e a seriedade com que encara tudo que envolve sua música me encantam. Inevitavelmente, essa disciplina acabou me tocando. Sem contar que ela é uma cantora extraordinária, maravilhosa, generosíssima e muito minha amiga, foi uma honra dividir o palco com ela. 

Com quem falta você gravar?

Boa pergunta! Nunca pensei sobre isso, até porque já gravei com a maioria dos meus amigos e ídolos queridos.


Fonte: Jornal da Orla
           21/08/2011
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